Posteriormente ao ataque do 11 de Setembro, em Outubro de 2002, a CIA publicou um relatório em que alegava a existência de armas de destruição em massa no Iraque.

Passado uma semana, num discurso referente à política externa dos EUA, George W. Bush anuncia uma operação bélica contra o Iraque, de acordo com as directrizes deste relatório da CIA.

Num artigo recente do The Blind Spot, sob a óptica de uma análise comunicacional, identificou-se que nesse discurso, ao todo, George W. Bush, em 29 minutos, recorreu:

13 vezes à palavra “terror”;

15 vezes à palavra “terroristas”;

6 vezes à palavra “terrorismo”;

55 vezes à palavra “Iraque”;

35 vezes à palavra “arma”;

16 vezes à palavra “nuclear”.

Figura 1 – Destruição de um complexo suspeito de esconder armas de destruição em massa, localizado em Al Samwah, Iraque.

A intervenção norte-americana alavancou uma mudança de regime no Iraque, resultando numa instabilidade que criou condições para o surgimento de grupos terroristas (inicialmente a instalação da Al-Qaeda e, mais tarde, do ISIS).

Aos olhos do Direito Internacional, poder-se-á interpretar a intervenção dos Estados Unidos como ilegal, dado que não houve mandato claro do Conselho de Segurança da ONU.

Mais tarde, Charles Duelfer, chefe dos inspectores de armas, emitiu o “Duelfer Report”, que atesta a inexistência de arsenais no Iraque.

Em Outubro de 2003, um estudo da Universidade de Maryland sobre a opinião pública americana descobriu que:

– 57% dos espectadores da “media mainstream” julgavam que o Iraque deu apoio substancial à Al-Qaeda, ou esteve directamente envolvido nos ataques de 11 de Setembro (48% após a invasão);

– 69% admitiam que Saddam Hussein estava pessoalmente envolvido nos ataques do 11 de Setembro;

– 22% acreditavam que tinham sido encontradas armas de destruição em massa no Iraque. (21% acreditavam que armas químicas/biológicas tinham sido realmente usadas contra soldados dos EUA no Iraque durante 2003).

Surpreendentemente, numa pesquisa realizada pela Harris Interactive, realizada de 5 a 11 de Julho de 2006, verifica-se um aumento de americanos a reconhecer que “o Iraque tinha armas de destruição em massa quando os EUA invadiram”, resultando numa percentagem de 50%.

Fontes:

George W Bush threatens Mushroom Cloud pt 1

(EST PUB DATE) IRAQ’S WEAPONS OF MASS DESTRUCTION PROGRAMS

VOL I COMPREHENSIVE REPORT OF THE SPECIAL ADVISOR TO THE DCI ON IRAQ’S WMD

President Bush Outlines Iraqi Threat

Misperceptions, the Media, and the Iraq War

Microsoft Word – Percentage of Americans Believing Iraq had WMD Rises

Wayback Machine

Teoria do Cultivo ou Incubação – The Blind Spot

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