Está a arrancar em Portugal um projecto de desenvolvimento de produtos alimentares à base de proteína de insecto. A Portugal Bugs — actualmente designada Corial Foods — encontra-se incubada na UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto).

O projecto começou numa disciplina de Engenharia Alimentar na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Um dos fundadores, Guilherme Pereira desenvolveu uma barra energética utilizando farinha de insectos.

A SFP (Sustainable Food Products) que é a empresa por detrás da Portugal Bugs recebeu um financiamento de 1.593.348,32 euros numa operação do Compete 2030. O projecto que se denomina de “INTECH+” propõe “um conjunto de inovações tecnológicas integradas para a valorização completa do fraccionamento de T. molitor, maximizando o seu potencial enquanto fonte alternativa de proteína e outros ingredientes de interesse para incorporação em produtos alimentares funcionais à base de insectos.”

T. molitor é o nome científico de larva-da-farinha, cujas larvas são usadas como ração animal ou em pesquisas biológicas, numa fase adulta é o besouro-do-farelo.

Ainda, a SFP (Sustainable Food Products) obteve um financiamento de 30 mil euros num Projeto PRRGREENSECT – Alimentação sustentável à base de insetos”. O GREENSECT “compromete-se a desenvolver alternativas alimentares à base de insectos tornando assim possível a colocação no mercado produtos alimentares mais sustentáveis produzidos com incorporação de insectos criados e processados na Europa.”

As barras proteicas de insectos já se encontram disponíveis em grandes superfícies como o Auchan e o Continente.

Enquadramento global

Um dos argumentos frequentemente apresentados pelos defensores da ingestão de proteína de insecto assenta no facto de cerca de um terço da população mundial já incluir insectos na sua dieta alimentar. Contudo, essa percentagem corresponde, em grande medida, a países em desenvolvimento de África e da Ásia, onde prevalecem hábitos culturais e condições de higiene distintos dos observados nas sociedades ocidentais, bem como diferentes níveis de recursos e de infra-estruturas.

A introdução e normalização da chamada “proteína de insecto” na Europa traduz uma alteração profunda nos hábitos de consumo. Caso esta tendência se consolide, levanta-se a questão sobre quais poderão ser os limites futuros. Em diversos países asiáticos é comum o consumo de carne de cão e de gato, uma prática que suscita o debate sobre se as sociedades ocidentais poderão, um dia, seguir um caminho semelhante no que respeita a novas tendências alimentares.

Para concluir, o filme Snowpiercer consiste num comboio dividido entre diferentes classes sociais, as classes mais pobres do comboio são alimentadas de barras proteicas feitas de insectos triturados.

Já no filme Soylent Green, passado num ambiente de poluição, recursos esgotados, pobreza e sobrepopulação, as “massas” são alimentadas por umas barras verdes, compostas por carne humana, ilustrando uma sociedade que recorre a fontes extremas de proteína devido à escassez de recursos.


O presente artigo faz parte de uma série sobre a União Europeia e os seus financiamentos:

Bibliografia:

A nossa aventura! – CORIAL FOODS

Portugal Bugs traz insetos para a alimentação dos portugueses | U.Porto Inovação

Projeto PRR

Operações | Compete 2030

Good grub: why we might be eating insects soon | World Economic Forum

Fontes Multimédia:

File:Børge Brende – World Economic Forum on Africa 2012.jpg – Wikimedia Commons

Italy bans insect flour from its pasta despite the eco buzz

Itt vannak a rovarfehérjéket tartalmazó élelmiszerekre vonatkozó új szabályok – ORIGO


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